EDITORIAL
Há questões
institucionais que precisam ser urgentemente enfrentadas
Iniciamos este ano como iniciamos o ano anterior, cercados de
expectativas que, invariavelmente, versam acerca de nossos
combalidos vencimentos, os quais não cansamos de qualificar como
os mais baixos do Brasil. Encerramos o ano passado imensamente
frustrados, um pouco pelo desfecho do andamento dos projetos
rejeitados pela Assembleia Legislativa, porém em proporção muito
maior por conta da constatação de que as nossas diferenças
internas foram as maiores causadoras do fracasso total das
negociações que envolveram o reajuste salarial.
Essa situação é uma questão institucional que tem que ser
enfrentada urgentemente pelos gestores da Brigada Militar, pois
sua perpetuação continuará nos fragilizando permanentemente, e
com certeza nos conduzirá para novas frustrações. Somente um
trabalho de esclarecimento executado de forma séria,
transparente, sem meias verdades poderá por um ponto final em
nossas diferenças internas.
Os componentes da Brigada Militar, do Soldado ao Coronel, tem
que se conscientizar que os tempos mudaram, que nossa carreira é
composta por dois níveis com exigências de ingresso
diferenciado, com responsabilidades diferentes e portanto com
salários diferentes.
Não é compreensível a ninguém que tenha um nível mediano de
inteligência que, ao chegarmos ao final do penúltimo ano da
atual administração, tenhamos a capacidade de rejeitar reajuste
salarial proposto pelo Governo. Isto se configura em uma
insanidade quase irreparável, pois o Governo se coloca em
situação cômoda perante a opinião pública.
Com o objetivo de lançar um pouco de luz nesse assunto, esta
edição do Jornal da AsofBM traz em destaque duas matérias que
tratam de assuntos que nortearam nossas discussões ao final do
ano e que terão continuidade já no início de 2010. Uma das
matérias se refere a questão previdenciária, a qual não é um
tema novo, por isso buscamos a opinião de um técnico do
Instituto de Previdência do Estado, o qual convive diretamente
com o problema, sendo que, da análise, somos levados a concluir
que este é um problema do qual não devemos fugir nem mais um
minuto, pois nossa segurança previdenciária está em risco.
A outra matéria de destaque busca analisar de forma isenta a
progressão salarial da Brigada Militar nos últimos 10 anos
traçando um comparativo entre todos os postos e graduações com o
objetivo de deixar clara a nossa posição classista em defesa de
reajuste para os Oficiais.
Buscar o esclarecimento e a formação do pensamento crítico da
oficialidade é uma das responsabilidades de nossa entidade de
classe, porém muitas vezes esbarramos na incompreensão e no
império dos interesses personalíssimos, o que tem se mostrado
uma barreira intransponível para a conquista de objetivos
maiores.
Esperamos com estas abordagens estar colaborando com aqueles que
têm a predisposição de buscar o entendimento, a justiça e a
verdade, pois só desta forma conseguiremos galgar com sucesso as
dificuldades que naturalmente nos são impostas na busca por
condições salariais mais condizentes com a importância da nossa
profissão no contexto social da atualidade.
Diretoria Executiva